quinta-feira, 25 de maio de 2017

Álbum- Fotos antigas







Quinta da Carrosenda, em Travanca de Lagos. Um grupo de trabalhadores na apanha da azeitona, nos anos 40 ou 50 do séc. XX. Em cima, ao centro, parece ser a Dra. Maria do Carmo que era  filha dos proprietários, Felizarda Carvalho e Diamantino Nunes Pereira, ela que foi médica no posto de saúde de Travanca muitos anos. Nesta época, como não havia jardim escola, iam todos para a faina... 

sábado, 22 de abril de 2017

Quintas e Lugares de Travanca de Lagos





Quinta das Mercês 
Antiga Quinta da Via de Lagares

- A história possível e uma possível interpretação da história


fig.1 - Casa da Quinta das Mercês - pormenor
A quinta da Via de Lagares, nome por que era conhecida a célebre Quinta das Mercês até ao início do séc. XX, foi outrora uma bela e próspera propriedade agrícola, encontrando-se atualmente muito repartida e a sua casa residencial em estado avançado de ruína. Situa-se numa encosta na vertente norte de Travanca de Lagos, mais precisamente, quando se desce para Lagares da Beira. A Quinta acompanha a estrada pelo lado esquerdo, desde a cortada para a Quinta da Bica, até ao rio Cobral, embora a estrada atravesse a quinta na extrema sul (fig.2).

fig. 2 - Carta militar  de Travanca com destaque da Quinta a roxo
Tinha cerca de 16 hectares e era constituída por terras de cultivo, pinhais, mato e vinha. Para além da sua terra fértil, a mina de água existente na quinta, com o seu enorme tanque de granito repleto todo o ano, permitia-lhe grandes culturas e grandes colheitas. Anexos, mas dela fazendo parte, existiam também moinhos de água junto ao rio Cobral, conhecidos por Moinhos da Quinta da Via, com casas anexas onde residiram os moleiros e suas famílias ao longo de muitas gerações (fig. 3 a 7).


fig. 3 e 4 - Quinta das Mercês , pormenores da paisagem
fig.4

fig. 5 -  Mina e tanque de água


fig.6 - Extrema norte junto ao rio Cobral


fig.7 - Moinho de água e residencia  anexa

O nome original da quinta da Via de Lagares estará relacionado, como o nome indica, com uma via romana que, passando junto à quinta, continuava depois por Lagares da Beira. Hoje é um caminho secundário, de serventia, estando a calçada romana tapada desde que o caminho sofreu obras de alargamento, supostamente, para melhorar o acesso em caso de incêndio. Uma parte da calçada romana da encosta de Lagares está visível e identificada com uma placa de sinalização. Poderia ser um simples caminho vicinal ou ser parte da via que ligava Bobadela a Viseu.

A história desta grande propriedade começa há muitas gerações atrás, num passado já longínquo, mas disso não há memória e os registos que nos chegam são muito limitados para a datar com precisão. Só a partir do fim do séc. XVlll é que aparecem os primeiros documentos paroquiais a referi-la como residência de alguém, situação que não acontecia anteriormente em que apenas se referiam à freguesia, não sendo tão explícitos com a morada. Desde essa época até à actualidade, a quinta terá pertencido a 3 famílias. Até ao início do séc. XlX, foi, provavelmente, pertença da família Mendes Monteiro, de Lagares da Beira, do séc. XlX até ao primeiro terço do séc. XX, terá sido da família Brito ou Pinto de Brito e, embora dividida, desde os anos 30 até à actualidade da família Marques Fernandes, de Lagares da Beira.

Assim, em 1780 aparece o primeiro documento paroquial a referir-se à quinta da Via de Lagares. É um assento de óbito de Violante Maria, referida como criada do padre José Cardoso de Figueiredo, de Travancinha. O segundo documento refere-se, no ano seguinte, à morte do dito padre, já com 80 anos, sendo este filho de Mariana Marques Mascarenhas e de António Cardoso de Figueiredo, Sargento-Mor do Casal de Travancinha. Como nesse registo o padre não vem referido como proprietário da quinta, o que a ser era geralmente descrito no assento, nem parece ter exercido nenhum cargo paroquial, quer em Travanca quer em Lagares, pois os párocos dessa época e anterior são conhecidos, não se percebe, por enquanto, a sua ligação quer à quinta da Via quer a Travanca de Lagos.

Passado um ano, em 1782, morre na quinta José Alvares, um criado de Manuel Mendes Monteiro, proprietário de Lagares da Beira. Como se tratava de um criado a residir na Quinta, admite-se que o seu patrão fosse o proprietário da Quinta. Em 1808 aparece um registo de batismo em que os padrinhos foram António Monteiro e Maria Eufrásia, da Quinta da Via. Pelo apelido poderiam ser da família do proprietário ou talvez os caseiros. Enfim, no fim da primeira década do séc. XlX a quinta foi adquirida por um bacharel em Direito, que em 1804 terminara o seu curso em Coimbra. Chamava-se António José de Brito, era natural de Loriga, filho de outro António José de Brito e de Isabel Mendes, também de Loriga. Da sua vida passada até à vinda para Travanca apenas se sabe, porque assim ficou descrito numa dita de reconhecimento parental em 1860, que teve uma filha ilegítima de nome Custódia Mendes de Brito, tida em solteiro com Ana Rita Pinto de Abranches, ainda em Loriga, onde aí viria a ser exposta como filha de pais incógnitos. Já a residir na Quinta teve o segundo filho ilegítimo, nas mesmas condições e com a mesma Dona Ana Rita. Desta vez a criança, de nome João Pinto de Brito, foi exposta na freguesia de Travanca, em Negrelos, no dia 20 de Agosto de 1820. O Dr. António José de Brito só viria a legitimar os dois filhos, casando-se com a companheira da sua vida, em 1859, um ano antes de falecer, reconhecendo-os depois como filhos e seus legítimos herdeiros. João de Brito terá sido educado por eles desde pequeno, já a filha terá vivido em Loriga, tendo casado depois com José Mendes de Torroselo e por lá permanecido.


Este proprietário viveu no conturbado período da revolução liberal e guerra civil, muito activa nestas paragens da Beira, como já foi descrito num artigo anterior. Quando se instalou na Quinta deve ter feito obras consideráveis, melhorando bastante a segurança e as condições de vida local, visto estar bastante isolado, praticamente na fronteira entre Travanca e Lagares e, portanto, vulnerável aos roubos e às pilhagens tão comuns naquela época. Não se sabe da sua filiação político-partidária mas, a julgar pelas histórias que se contam, poderá ter sido da fação liberal. Reza a história local que o João Brandão usava a quinta, nessa época, como esconderijo quando andava foragido. De facto, na casa da quinta existem dois quartos subterrâneos, um dos quais entre a cozinha e a sala, sem janelas, com acesso apenas por alçapão, como se de um esconderijo se tratasse, podendo ser usado por algum foragido, como por exemplo o João Brandão, ou simplesmente para ele e a sua família se esconder de alguma investida bélica. Talvez por isso a casa estivesse fortificada, com grandes grades de ferro nas janelas e portas reforçadas com fitas de metal por dentro e chapa por fora, impondo-lhe um ar austero, mas seguro (fig. 8 a 11).

fig. 8 - Casa da Quinta, pormenor

fig. 9 - porta com reforço exterior a chapa de aço
fig.10 - porta da casa com reforço interior de chapa de aço

fig.11 - Casa da Quinta, pormenor do gradeamento

A casa, atualmente, encontra-se em avançado estado de ruína, aparentando ter tido uma arquitetura rural severa, onde sobressai o seu granito escuro e sombrio, mas no seu interior, pelo contrário, mostra que teve exuberância de cor, ao gosto da época, sobressaindo as pinturas figurativas nos tectos e os motivos florais nas paredes que, embora danificadas, ainda resistiram ao tempo para serem registadas parecendo, no entanto, irrecuperáveis (fig. 12 a15) …




fig. 12, 13, 14, 15 - Casa da Quinta, pormenores das pinturas figurativas dos tectos


A Quinta da Via, neste período, era próspera e rica dando guarida e sustento a muitas famílias, desde os moleiros aos caseiros. Entretanto, nos anos que se seguiram, por volta de Novembro de 1845, entra em funções um novo padre em Travanca, substituindo o pároco Ricardo António Mendes da Gama. Chamava-se Manuel Joaquim Pereira Ribeiro da Rocha, mais tarde Presbítero Arcipreste do distrito de Coimbra, cónego capitular da Sé de Coimbra, iria exercer funções até cerca de 1861. Era natural de Passos da Serra, concelho de Gouveia, residindo então em Travanca. Tinha ele uma bonita irmã mais nova que, provavelmente, seria sua visita regular, talvez desde pequena. Numa das visitas terá conhecido João Pinto de Brito, filho do Dr. António José de Brito, tendo daí nascido, mais tarde, um romance entre os dois. Casaram em 1860, ele com 40 anos e ela com 24, mas primeiro os pais do noivo, que viviam em comunhão de facto, tiveram que legitimar a sua própria relação casando-se na sua Quinta em 1859. A Dona Ana Pinto de Abranches, mãe do João de Brito, era natural de Torroselo sendo filha de José Rodrigues de Abranches e de Isabel Pinto de Torroselo. Foi uma relação de uma vida, cheia de mistério e talvez de sofrimento, aquela que teve com o Dr. António. Só depois do casamento puderam reconhecer legalmente o seu filho, então com 40 anos, após o que se deu o enlace com a irmã do Reverendo, Dona Maria José de Sousa Pinto. Ela, nascida em 1836 em Passos, era filha de José de Sousa Pinto e de Delfina Rosa, ambos de Passos da Serra. Antes de morrer, em 25 de Novembro de 1860, já com 85 anos, o Dr. António ainda assiste ao casamento do filho, sendo o irmão da noiva o padre que os casou. A esposa do Dr. António, Dona Ana da Quinta como era conhecida, vem a falecer em 1869, com 80 anos. Segue-se um novo período próspero com uma nova geração, a segunda da família Brito.

Desta união entre João Pinto de Brito e Dona Maria José de Sousa Pinto, ou Pereira da Rocha, como a proprietária algumas vezes vem mencionada no Anuário Comercial de Portugal, apelidos que lhe vêm dos avós maternos, nasceram dois filhos. O mais velho, Augusto das Mercês Pinto de Sousa e Brito (fig.16), ou Mercês como ficou conhecido em Travanca, nasce em 24/9/1871, no dia de Nossa Senhora das Mercês. O seu padrinho de batismo foi José Soares Coelho da Costa Freire. O mais novo, Manuel Eduardo (fig. 17), nasceu em 23/2/1874, tendo por padrinhos o seu tio, o Reverendo Manuel Joaquim Ribeiro Pereira da Rocha, e Dona Teresa Augusta Soares Albergaria Cabral, irmã da Dona Amélia da Quinta das Hortas.

Em 1904 morre João Pinto de Brito, com 76 anos, ficando à frente dos destinos da Quinta a sua viúva, Maria José ou Dona Maria Cónega com era conhecida na época, por associação ao irmão. Esta matriarca só virá a falecer, na sua quinta, em 1918, já com 80 anos.

fig.16 - Augusto das Mercês

fig. 17 - Manuel Eduardo de Brito

Os seus filhos tiveram vidas distintas. O Manuel Eduardo casa-se, na primeira década do séc. XX, com uma professora primária de Gouveia, talvez de Passos da Serra, terra dos seus avós maternos. No entanto deixou 3 filhos ilegítimos, que nunca reconheceu, tidos de uma bela jovem de Travanca por quem se enamorou, fruto de uma relação nunca consentida pela sua mãe pelo facto dos jovens serem de classes sociais distintas. A jovem, de nome Maria da Conceição Costa, abandonou Travanca em 1903, com os três filhos e refez a sua vida em Cascais, junto dos pais e irmãos.

fig.18 - Tuna de Travanca de Lagos em  1914, com os irmãos Augusto das Mercês e Manuel Eduardo nos extremos da foto

O Augusto das Mercês, sempre mais ligado a Travanca, teve uma vida folgada. Foi presidente da primeira Tuna de Travanca de Lagos (fig.18), onde participa também o irmão, e foi Regedor de Travanca entre os anos de 1914 e 1915. Nunca casou, mas teve também vários filhos ilegítimos. De uma das criadas da Quinta, Ana Mendes mais conhecida por Ana das Mercês, teve um filho em 1904, chamado Eduardo e, em 1905, uma filha de nome Maria das Mercês. A Maria foi educada na quinta e reconhecida como filha legítima, em 29/9/1932, por altura do seu casamento. O Eduardo e a mãe mudaram-se para o povo, onde passaram a viver numa pequena casa, já nos anos 20. Augusto Mercês teve ainda outro filho, em 1914, António Mendes, alcunha de Moio, tido de uma jovem de Travanca chamada Maria Teresa Cravo, que terá emigrado para o Brasil, tendo o filho sido criado pela avó, Conceição Cravo, até à idade de ir para a tropa.

fig. 19 - Carimbo da Quinta usado elo Augusto das Mercês

Com a morte da Dona Maria Cónega, em 1918, fica com os destinos da Quinta da Via de Lagares o Augusto das Mercês. É nesta fase que a quinta muda de nome para Quinta das Mercês, em honra ao seu recente proprietário (fig. 19), e atinge, provavelmente, o seu apogeu, se não pelos rendimentos agrícolas, pelo menos pelas opulentas festas que dava e que se iriam tornar frequentes nesses loucos anos 20 em Travanca. O Mercês vivia dos rendimentos e tinha uma vida de luxo. Conta-se que, na época, tinha um carro, o que era uma sensação na Terra. Quando queria ir de carro da quinta até ao povo, o que era uma subida considerável, ou ia puxado por uma junta de bois ou burros ou, então, pela pequenada entusiasta que o ajudava nessa tarefa! Com o tempo, esta vida faustosa levou ao declínio da Quinta, às hipotecas, à ruína. Em 1930 morre a sua governanta, pessoa que ele muito estimava, ficando a viver só com a filha. Vende o que tem e muda-se para Viseu, onde investe numa empresa de material de construção, A Combatente. Casa a filha em 24/9/1932, no dia em que fazia 61 anos de idade, perdendo-se depois o seu rasto. Contava o Sr. Ivo que teria morrido em Vil de Moinhos, freguesia de Viseu.

Por volta de 1930, a quinta, já hipotecada, foi adquirida por Alexandre Marques Fernandes, um abastado emigrante no Brasil, natural de Lagares da Beira. Segundo conta um familiar, teria feito fortuna com um elixir para o cabelo chamado Juventude Alexandre (fig. 20), muito popular no Brasil, um produto eficaz que restaurava a cor natural do cabelo e que lhe valera, para além da fortuna, um prémio internacional obtido em Paris. Segundo é referido por  Carla Francini Terci, terá sido comercializado no Brasil desde o ano de 1908 até cerca de 1960. O engraçado, segundo o sobrinho, é que o tio sendo careca não podia usufruir da sua fórmula! Ainda hoje se produz em Portugal, embora a patente tenha deixado de pertencer à família, é comercializado pelo laboratório Gestafarma.

fig. 20 - Anúncio na revista Fon-Fon, Brasil  1930

Entretanto o senhor, não tendo filhos, deixou, logo à partida, a propriedade para os seus 4 irmãos que, ainda em 1932, a escrituraram e dividiram pelos quatro, tendo todas as partes cerca de 4 hectares (fig. 21).

fig. 21 - Carta militar com o pormenor da divisão da Quinta em 4 partes, aproximadamente


António Marques Fernandes, na época solteiro, proprietário da Quinta do Borralhal, em Lagares da Beira, viria a casar e viver em Maceirinha, Seia, e mais tarde emigraria para o Congo, ficou com a parte que continha a casa de residência da Quinta, o lagar e terreno misto.

Adelino Marques Fernandes, casado com Blandina de Figueiredo Fernandes, ficou com a parte que continha a casa dos Caseiros, a forja, a mina e, claro, terra com fartura.

Agostinho Marques Fernandes e a esposa, Dona Maria Augusta Fernandes, ficaram com a parte da quinta a sul, mais perto de Travanca.

Dona Elisa do Rosário Fernandes e o marido, António Mendes Gonçalves, ficaram com o estremo norte da quinta, fronteiro ao rio Cobral, contendo os chamados Moinhos da Via.

Nenhum dos quatro irmãos chegou a viver na quinta mas, também, esta nunca esteve desocupada. Na casa principal, pertença de António M. Fernandes, passou a viver como caseiro, desde essa altura, José da Costa e sua família, naturais de Travanca, cuidando dessa parte da quinta. Mais tarde, uma filha, chamada Conceição Costa, casa com Joaquim Carvalho, Saca de alcunha, passando a residir lá com a família que foi formando e tomando conta dessa parcela. Na casa ao lado, a dos caseiros, pertença do Adelino, passa a viver outra filha de José da Costa, Maria das Dores da Costa, quando casa com António da Costa Brito, conhecido pela alcunha do Forcas, activando a forja que se situava no piso inferior. Viveram lá até meados dos anos 80. Esta parcela foi, na última década, comprada por um casal Norueguês.

Nos anos 50, na parcela referente à Dona Elisa viveu uma filha, conhecida por Marquinhas, casada com um senhor, também de Lagares da Beira, chamado Francisco Coelho, (fig. 24). Teve ainda outra filha conhecida por Teresinha. Posteriormente esta parcela teve como caseiro, até meados dos anos 90, o senhor Albertino Marques Miguel, conhecido por Coradinho. Actualmente a propriedade também já foi vendida a um casal de Ingleses. A parcela do Agostinho também foi vendida, encontrando-se novamente à venda.

fig. 24 - Casa de habitação e moinho de água reconstruidos

fig. 25 - Ruínas de um moinho de água da Quinta

fig. 26 - Paisagem da Quinta com pormenor de uma casa de habitação junto ao moinho ruído


Só a quinta de António Marques Fernandes ainda está na posse dos herdeiros. O seu proprietário actual, o Dr. António Pinto Fernandes, residente no Porto, tem-na à venda. Segundo ele conta, a quinta teve um projecto de requalificação que previa a reconstrução da antiga residência, com a recolocação da sua antiga e majestosa chaminé, mas, infelizmente, o projecto não avançou.
Resta portanto, para bem da história e do património, que alguém sensível a estas questões, e também com gosto pela terra e pela nossa Terra, lhe queira repor novamente a glória de outros tempos, dando àquele granito patinado nova vida, novo rumo!

Agradecimentos,
Fotos – 16,17,19 – Maria Eduarda Garcia
Foto 18 – António Manuel Soares
Foto 20 – Carla Francini Hidalgo Terci



sábado, 9 de julho de 2016

Pessoas de Travanca com história





Comendador António da Costa Carvalho




António da Costa Carvalho, figura ilustre  do panorama nacional de meados do séc. XX, nasceu em Travanca de Lagos, em 20 de Março de 1883, tendo falecido  em Lisboa , na freg.ª  de N.ª S.ª de Fátima,  em 27 de Dezembro de 1977, com 94 anos. Embora tenha dividido a sua vida entre o Brasil, Lisboa e Tábua, vila de onde era originária a sua esposa, ainda assim, deixou uma obra emblemática na sua terra natal, Travanca de Lagos. Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Benemerência a 2 de Outubro de 1962.

Era filho de  António da Costa, canastreiro de profissão e natural da Bobadela, terra de seus avós paternos, que se chamavam António Costa e Emília de Jesus, também operários. A sua mãe, Júlia da Conceição Carvalho, casou  aos 24 anos com o seu pai, de  26 anos, em 17 Abril de 1872. Os seus avós maternos eram naturais de Travanca e moravam no Zambujeiro. O avô chamava-se  Manuel Carvalho e era ferreiro e sua avó chamava-se Felizarda da Silva.

A sua família era conhecida com a alcunha dos Triplos. Os seus pais, segundo se depreende da análise dos registos paroquiais, foram melhorando economicamente a sua vida visto que, de operários (canastreiros) nos primeiros anos de casamento, passaram à condição de proprietários já durante o nascimento dos 2 últimos filhos. Portanto, tudo leva a querer que o Comendador terá nascido no seio de uma família remediada, sendo ele o 3º filho,  e algo numerosa também. De facto, teve 4 irmãos. O mais novo chamava-se Hermínio da Costa Carvalho e casou-se, em 1916, com Dona Maria Piedade Soares da Costa Freire, pertencente a uma prestigiada família de Travanca. Teve, no entanto, o infortúnio de falecer bastante cedo, no fatídico ano de 1918, com apenas 32 anos, vítima da Pneumónica, um flagelo que tocou muitas outras famílias de Travanca.

O irmão mais velho, que se chamava José da Costa Carvalho, nasceu em Travanca em 1874. Casou com Conceição Dias e tiveram 2 filhas,  Aurora e Esmeralda, estas também com geração. Depois nasceu o irmão Adolfo Cândido, em 1877, afilhado do padre Luis Cândido Soares de Albergaria e de Dona Maria Amélia Soares de Albergaria, a grande matriarca da Quinta das Hortas, de Travanca. Seguidamente nasceu o irmão Basílio, em 1879, afilhado do Dr. Basílio Augusto Soares da Costa Freire, que foi um notável professor de Anatomia da faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, outra figura ilustre de Travanca que marcou o seu tempo. 

Quatro anos mais tarde, em 20 de Março de 1883,  nasce o Comendador António da Costa Carvalho. Foi batizado em 1 de Abril desse ano, com apenas 12 dias, na igreja matriz de Travanca de Lagos. O seu padrinho foi o benemérito Travanquense, Coronel António Rodrigues Nogueira, que vivia na atual sede da junta de freguesia de Travanca de Lagos. Por fim, em 1886, nasceu o irmão mais novo, o Hermínio, tendo sido seu padrinho um tio abastado, irmão da mãe,  e grande proprietário da terra, que foi  professor do ensino secundário no Porto, chamado Manuel Carvalho da Silva. Este último também era tio da Poetisa Maria Amélia Pinto Carvalho de Almeida, portanto, sua prima, falecida em 2010 e que deixou uma vasta obra literária, com muitos prémios acumulados na sua longa carreira,  e cujo espólio pode ser apreciado no seu museu, no Zambujeiro,  junto à sua antiga residência.

Bastante novo, o Comendador emigrou para o Brasil à procura de fortuna, ainda no final do séc. XIX, mas, segundo consta, não foi sem antes ter experimentado a profissão da família, que seria canastreiro. Regressado do Brasil, supostamente com uma situação financeira confortável, montou escritório em Lisboa, na rua Del'Rei, 134, como Capitalista. Desde 1903 até 1917 fixa residência na rua Serpa Pinto nº 28 - 1º, e escritórios na rua do comércio e rua Aurea, assim consta no Anuário Comercial de Portugal.

Fig.1e2 -António Costa Carvalho 
e Sarah Beirão





















Em 15 de Setembro de 1910, casa com a conhecida escritora Tabuense Dona Sara Vasconcelos Carvalho Beirão, mais conhecida por Sarah Beirão, filha do conhecido médico Tabuense Dr. Francisco Beirão. Nascida em 29 de Julho de 1880, na quinta do Freixo, em Tábua, num solar do séc. XVIII, local onde nos anos 60 do séc. XX, conjuntamente com o marido, fundou a primeira Casa do Artista Portuguesa. Uma obra social inovadora e de grande mérito, que viria a albergar artistas e escritores até  à década de 80. Sarah Beirão, para além de escritora, foi também Publicista, ativista dos direitos das mulheres e Filantropa, tendo-se  distinguido no panorama cultural e político português dos anos 30 e 40.

Fig. 3, 4,5 - Auto Garage Nagant, em Coimbra
            















António da Costa Carvalho, dotado de um grande espírito empreendedor, esteve desde sempre ligado aos negócios, tendo sido um empresário de sucesso, multifacetado. Cedo investiu no ramo automóvel tendo sido, ainda antes da década de 20, proprietário  de uma Garagem em Coimbra, com sede na avenida Sá da  Bandeira, 85,  chamada Auto Garage Nagant (fig.3, 4 e 5). Importava carros da marca belga Nagant que, segundo a publicidade de então, eram ótimos carros de aluguer. Mais tarde, vem a  mudar de nome para Garagem Moderna, como sociedade de Carvalho e Telles, ambas na avenida Sá da Bandeira (fig.6). Na década de 20, em Lisboa, vem também a ser  proprietário de um salão de venda e exposição de carros chamado Nacional Stand, que fazia comércio de carros novos e usados, com sede na avenida da Liberdade (fig.7). Consta que terá sido dos primeiros importadores de táxis para Lisboa e que terá sido proprietário de uma praça de táxis, alegadamente, sediada na avenida da república, perto do prédio onde viria a residir, junto da famosa Pastelaria Versalhes.

Fig. 6 - Garagem Moderna, em Coimbra
Fig. 7 - Nacional Stand, em Lisboa

Em 1918,  fixa residência em Tábua. Para a decisão do casal  não terá sido alheia a  morte do seu sogro, o Dr. Francisco Beirão. Em Tábua inicia, então, uma atividade ligada à exploração da madeira e, em 1919, era já proprietário da fábrica de serração  a vapor, A Taboense (fig.8). Simultaneamente era representante do Banco Popular Português e agente dos Seguros A Latina (fig.9). No Anuário Comercial de Portugal, de 1921 a 1923, consta como agente do banco Luso Hispanhol e, em 1929, apenas é descrito  como proprietário e produtor de vinhos em Tábua.


Fig. 8 - Fábrica de serração a Taboense


Fig. 9 - Agência de seguros a Latina

Ao mesmo tempo, o Comendador teve a sua atividade de empresário ligado ao mundo do espetáculo, tendo sido um Produtor de teatro e cinema de sucesso (fig10). Foi acionista  fundador da Tóbis Portuguesa, a grande produtora de filmes do ciclo dourado do cinema português, detentora dos estúdios do Lumiar (fig.16). Financiou vários filmes como As Pupilas do Sr. Reitor (fig11), Bocage(fig.12) ou a Severa (fig.13 ), de Leitão de Barros, que seria o 1.º filme sonoro produzido em Portugal e que lhe viria a dar um grande lucro, por ter adquirido os direitos de distribuição no Brasil (fig.14).


Fig. 10 - O Comendador, 1º à  esquerda, como Produtor de cinema 



Fig.11 - As Pupilas do Sr. Reitor
Fig. 12 -Bocage 


       
Fig. 13 - A Severa
Fig. 14 - A Severa em exibição no Brasil

Esteve, também, muito ligado ao empresário e produtor Vasco Morgado, marido da célebre artista Laura Alves (fig.15). Financiou muitas das suas peças no teatro Monumental e Revistas do Parque Mayer (fig.17,18). Foi amigo pessoal de Igrejas Caeiro, conhecido produtor radiofónico, também ele um grande nome do teatro, do cinema e da vida política portuguesa dos anos 50. Este último viria a ser administrador da  Fundação Sarah Beirão/ António Costa Carvalho durante mais de 30 anos.


Fig. 15 - Vasco Morgado e Laura Alves
Fig. 16 - Estúdios do Lumiar



Fig. 17 - Peça no Teatro Monumental

Fig. 18 - Peça de teatro com Laura Alves

De 1945 a 1947,  preside ao concelho fiscal da Companhia Portuguesa de Filmes. De 1948 a 1950, vive na avenida Duque d'Ávila, 94 e é vice presidente da Tóbis portuguesa e proprietário em Tábua. À parte disso, o casal era  proprietário de muitos prédios em Lisboa e tinham mais negócios ligados ao imobiliário. Do ponto de vista cultural, participa com Sarah Beirão em serões literários na tertúlia Tábua Rasa, um marco da cultura portuguesa, de meados do séc. XX.


Fig. 19 - Recepção ao Presidente, no dia da inauguração da Casa do Artista

Fig. 20 - Discurso na  Casa do Artista, no dia da inauguração
Gozando de uma grande fortuna, fruto de muitos anos de trabalho e bons negócios, e talvez por não terem tido descendência direta, quiseram deixar um legado para o futuro, criando uma Fundação. O projecto da sua criação inicia-se na década  de 60 e viria a ter o nome do casal, Fundação Sarah Beirão/ António Costa Carvalho. A sede  situava-se na Quinta dos Freixos, em Tábua, uma aprazível propriedade da família de Sarah Beirão, com quase 40 hectares, onde foi construído de raiz uma casa de repouso/ Lar, para artistas e intelectuais, representando um sonho antigo dos beneméritos que, ao logo das suas vidas, privaram de perto tanto com escritores, como com artistas de palco, tantas vezes desamparados  no fim das suas carreiras. A sua missão era proporcionar a estes artistas  um fim de vida com dignidade e ajustado à sua condição, propósito que terá cumprido até à década de 80, funcionando atualmente como uma instituição  de solidariedade social para acolhimento de idosos. Em 27/9/1965 é  inaugurada então, com pompa e circunstancia, pelos notáveis da região, pelo ministro da Saúde, pelos vários representantes dos órgãos regionais e concelhios e por sua Ex.ª, o Presidente da República, Almirante Américo Tomás.(fotos 19,20 e 21)


Fig. 21 - Recorte de notícia  da inauguração

Fig. 22 - Logótipo da Liga de Melhoramentos, na déc. 60

No fim da década de 60, encorajado por outro benemérito de Travanca, José da Silva Garcia, que na época presidia à Liga de Melhoramentos, reaproxima-se de Travanca, a sua Terra Natal. Verdadeiramente esta aproximação já se teria iniciado em Fevereiro de 1961, quando  o mesmo o convidou para sócio de honra da recém-formada Liga.(fig.22). É nesse período que, influenciado pela personalidade de José da Silva Garcia e principalmente pelo Dr. Álvaro dos Santos Madeira, patrocina e financia a criação de um complexo de assistencia social em Travanca de Lagos.

O  Dr. Álvaro, ilustre médico e benemérito de Travanca, era diretor do Diário de Coimbra e amigo pessoal do Dr. Bissaya Barreto, o qual presidia a Junta Distrital de Coimbra, que tinha uma importante ação no campo social e na saúde pública do distrito. Este organismo vinha patrocinando a construção quer de jardins de  infância, conhecidos como Casas da Criança, quer de Lares/escolas de meninas em risco, denominadas  Escolas de Educação e Preparação para Raparigas. Assim, com este triângulo de influências, aliado à boa vontade do Comendador, estavam reunidas as condições para a criação, em Travanca de Lagos,destas ditas infraestruturas. O conjunto assistencial ficaria sob a alçada da Junta Distrital de Coimbra e passaria a beneficiar, também, da sua gestão e financiamento futuro.


 

Fig. 23, 24 e 25 - Recortes de notícias do anuncio do projeto assistencial em Travanca de Lagos


A casa da Criança receberia crianças da localidade em idade pré-escolar e a Escola receberia meninas mais velhas, órfãs ou de baixa condição socioeconómica, funcionando a nível distrital, mas com prioridade para as crianças locais. Para a instalação da escola foi adquirida, em 1968, a casa do Padre António Mendes Correia (fig.26), ainda familiar do Dr. Alvaro, e o projeto da Casa da Criança, a construir num terreno anexo, ficou a cargo do Arquiteto Edmundo Tavares (fig.27), um amigo e apaixonado por Travanca. Mas, todo o processo  irá sofrer algumas contrariedades e demorará mais de meia dúzia de anos a ser executado.

Fig. 26 - Antiga casa do Padre António Mendes Correia

De facto, o projeto da escola de "raparigas" foi abandonado ao fim de 5 anos, corria o ano  de 1973, dando lugar a um lar de Idosos que acabaria por ser inaugurado já depois de  1976, após a morte do Dr. Bissaya Barreto e o conturbado período revolucionário. Em setembro de 1975, chegou ainda a ser ponderado o uso da casa para ocupação temporária pelos retornados do Ultramar, a pedido da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Foi, no entanto, finalmente, inaugurado o Lar (fig. 33), com o nome de  Sarah Beirão/ António da Costa Carvalho,  com a presença de altas individualidades locais, regionais e distritais, sendo também descerrados, nas instalações do Lar, os bustos dos beneméritos que tornaram possível a obra (fig.27 a 31). A Casa da Criança (fig.32) foi inaugurada, pelo Dr. Àlvaro, em 1 de dezembro de 1973, começando a funcionar com 4 crianças, todas de Travanca, 3 funcionárias e uma educadora.







Fig. - 27, 28, 29, 30 e 31 - Fotografias do dia da inauguração do Lar  de  Travanca de Lagos


O complexo criado, de elevado alcance social, colocou Travanca de Lagos, nessa época, num plano superior, servindo de exemplo a muitas terras da Beira Interior, tão desfalcadas deste género de recursos sociais. O legado que esta ilustre figura de Travanca de Lagos deixou à sua terra foi grande, tendo em conta o que representou para o Povo, mostrando estar à frente do seu tempo e também refletindo um grande amor pela terra que o viu nascer.


Fig. 32 - Casa da Criança Sarah Beirão

Fig. 33 -  Lar Sarah Beirão/ António da Costa Carvalho

Por contingências várias, o complexo por si patrocinado deixou de estar sob a alçada  da Junta Distrital, passando a responsabilidade, em 22 de Julho de 1986, primeiro, para a Assembleia Distrital e posteriormente para a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

O Lar infelizmente encerrou há cerca de 10 anos, por falta de condições de funcionamento, aguardando os últimos anos, segundo consta, condições de viabilidade económica. Se, no tempo em que foi criado, era mais usual os idosos  viverem com as suas famílias, nos últimos anos vive-se um novo paradigma, em que as famílias não têm condições para manter o idoso no seu seio. Sem o Lar, Travanca tem visto os seus idosos partirem para as terras vizinhas. Quanto ao Jardim de Infância, este tem sobrevivido com dificuldade lutando, todos os anos letivos, com falta de crianças para o manter em funcionamento esperando, talvez, por um novo projeto que o relance.

A preocupação pela Educação pré-escolar e pelo destino dos idosos da freguesia deveria manter-se hoje e perpetuar-se no futuro, mantendo o desígnio dos seus fundadores e o sonho que foi de uma geração de travanquenses. Será da responsabilidade da nossa geração continuar a obra, refundando os ideais da Fundação.


Fig. 34 - Momento solene de atribuição do Grau de Comendador

Fig. 35 - Agradecimento do Comendador ao presidente Américo Tomás

António da Costa Carvalho, na sequência da sua obra social, nomeadamente a sua fundação, viria a ser agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Benemerência, atual Mérito, em 2 de Abril de 1962, por sua Ex.ª o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, formalizado no ato da inauguração da casa do Artista em 27/9/1965 (fig.34 e 35 ).


Fig. 36 - Recorte de notícia da homenagem
 do Povo de Travanca
Fig. 37 - Recorte de notícia  sobre donativos para a reparação da Igreja

Por parte do povo de Travanca o Comendador foi homenageado por diversas vezes. Em junho de 1972, aproveitando as festas de São Pedro, na sede da Casa do Povo e juntando inúmeras figuras públicas, locais e regionais, amigos e muita gente do povo, foi proferido, de forma muito sentida o agradecimento ao benemérito, tendo esse reconhecimento sido profundamente sentido pelo Comendador como um dia sem igual na sua já longa vida (fig.36). Tiveram a palavra o Dr. Àlvaro Madeira , Dr. Vasco Lencastre, Arquiteto Edmundo Tavares, ator Igrejas Caeiro e Dr. Tito Bettencourt.


 

Fig.38, 39 e 40 - Casa onde nasceu o Comendador e lápide evocativa


Fig. 41 - Vista ampla da casa onde nasceu o Comendador

O homenageado, após o seu discurso,  entregou ao presidente da Liga de Melhoramentos e vogal da Fábrica da Igreja um cheque no valor de 100 contos,  para auxilio nas despesas de restauro da Igreja (fig.37), e prometeu ainda, após esse restauro proceder à reparação da Casa Paroquial. Foi de seguida organizado um cortejo junto à casa dos seus Pais (fig.38,40e41), local do seu nascimento, e descerrada uma lápide evocativa (fig.39),  usando da palavra  D. Maria Amélia carvalho Almeida, sua prima. Seguiu-se o descerramento das placas  que dão ao largo da igreja o nome de "Praça Comendador António da Costa Carvalho" (Fig.42 e43), cerimónia durante a qual falou o ator  Igrejas Caeiro.


Fig. 42 - Lápide evocativa
Fig. 43 - Praça Comendador António da  Costa carvalho






Os Travanquenses, ainda em jeito de  agradecimento, fizeram uma homenagem, em 1975, organizada pelo Poeta e grande amigo de Travanca, o Sr.Feliciano da Silva, que juntou, num almoço em Lisboa, muitas figuras da Terra, familiares e amigos (fig.44 a 46).


Fig. 45 - O Comendador com
a prima D. Maria Amélia
Fig. 44 - Feliciano da Silva e
 Eugénio de Carvalho

 
Fig. 46 - Durante a homenagem  com familiares

Com uma vida cheia e plena, faleceu aos 94 anos na freguesia de Nª Sª de Fátima, em Lisboa, tendo sido sepultado no cemitério de Tábua, junto da sua companheira Sarah Beirão. Morreu o Homem, ficou o seu legado...


Nota final - Queria agradecer, uma vez mais, às minhas fontes, o Sr. Feliciano da Silva, a Dr,ª Maria Leonor de Almeida, a D. Regina Madeira  e especialmente ao Dr. Fernando Garcia, pelo contributo inestimável neste artigo e também à Fundação Sarah Beirão / António da Costa Carvalho, nas pessoas do Dr, Sérgio da Cunha Velho, Presidente da direção, e D. Isabel Camisola, pela autorização de consulta do arquivo do Comendador e reprodução de alguns documentos aqui expostos, que muito enriqueceram o trabalho. Um agradecimento muito especial à Dr.ª Fátima Pais pela ajuda e amizade.